segunda-feira, 9 de maio de 2011

Síria: líderes de protesto detidos em Banias, menino morre em Homs

AFP


Os líderes dos protestos em Banias, no noroeste da Síria, foram detidos pelas forças de segurança, uma amostra da determinação das autoridades para silenciar à força os protestos sem precedentes contra o presidente Bashar al-Assad.


O exército entrou ao mesmo tempo em Banias (noroeste) e em Homs (centro), onde, segundo um militante, um menino de 12 anos morreu atingido por tiros.


A agência de notícias oficial Sana, citando uma fonte militar, indicou, por sua vez, que 16 pessoas morreram "por disparos de grupos terroristas", das quais seis eram militares.



Manifestação de protesto em Banias, Síria 




Em Banias, as forças de segurança detiveram mais de 250 pessoas entre sábado e domingo, das quais dezenas de mulheres e um menino de 10 anos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.
Entre eles figura o xeque Anas al Ayrut, considerado o líder do movimento, e Basam Sahiuni, segundo a mesma fonte.


As forças de segurança rodeavam o hospital de Al Jamiyeh e detiveram vários médicos, informou o observatório.


Nesta cidade de 50 mil habitantes na costa do Mediterrâneo, as comunicações telefônicas, a eletricidade e a água potável foram cortadas, segundo Rami Abdel Rahman, presidente do Observatório Sírio de Direitos Humanos.
"A cidade está isolada do mundo e nos bairros sul, bastião dos militantes que protestam, há atiradores escondidos nos telhados", acrescentou.



Reprodução de imagem divulgada pela TV estatal síria mostra o corpo de um soldado que teria sido morto durante confrontos com 'grupos armados terroristas', em Homs 




"Tanques foram mobilizados nos arredores e nos bairros do sul de Banias. Houve invasões. Algumas pessoas foram detidas com base em uma lista", segundo ele.


Os militares, que na sexta-feira entraram com seus tanques no centro de Homs, 160 km a norte de Damasco, penetraram na madrugada de sábado para domingo em vários bairros dominados pela oposição, como Bab Sebaa e Baba Amr, segundo um ativista de direitos humanos.


Rajadas de metralhadoras e outras armas pesadas eram ouvidas nestas áreas. A energia elétrica e as linhas telefônicas foram cortadas.


Um menino e 12 anos, Qasem Zuheir ao Ahmad, morreu por um tiro, indicou o ativista sem dar mais detalhes.


"O exército e as forças de segurança continuam perseguindo os grupos terroristas (...) em Homs, Banias e nos arredores de Deraa (sul), indicou, por sua vez, a agência Sana.


"Seis militares, entre eles três oficiais, perderam a vida nos confrontos e outros foram feridos" por tiros de grupos terroristas, indicou um porta-voz militar citado pela agência, sem informar as cidades onde as vítimas faleceram.


A agência Sana garantiu que membros de grupos armados morreram, outras dezenas foram detidos e armas foram apreendidas.


A agência também informa sobre a "morte de dez cidadãos sírios no domingo" de madrugada "por disparos de um grupo terrorista armado".


"Estavam em um micro-ônibus quando caíram em uma emboscada preparada por este grupo armado em Homs. Todas as vítimas eram operários que trabalham no Líbano e voltavam para a Síria", afirmou Sana, que divulgou os nomes dos dez mortos, originários de Hama (norte) e Idleb (noroeste).


O exército deu início às operações em Homs e Banias depois de sitiar durante dez dias a cidade de Deraa, no sul, principal foco do movimento de protesto contra o regime do presidente Bashar Al Assad.
Milhares de pessoas foram presas em Deraa, segundo ativistas dos direitos humanos.


Segundo o Al Watan, um jornal privado próximo ao governo, Bashar al Assad reuniu-se no sábado com uma delegação de jovens sírios que "evocaram as práticas violentas de alguns agentes de segurança".


"O presidente Assad não desmentiu estas práticas e afirmou que se tratava de comportamentos individuais e que o governo trabalha para conter a crise e eliminar a violência", acrescenta o jornal.


Por sua vez, um veterano da luta pelos direitos humanos an Síria, Riad Seif, de 64 anos, que sofre de câncer, foi condenado neste domingo por violar a proibição de protestar, segundo o advogado Khalil Maatuk.


Em Damasco, Riad Seif, célebre figura da oposição, "foi apresentado à justiça, que o condenou pelo delito de protestar", declarou Khalil Maatuk, que é presidente do Centro Sírio de Defesa dos Prisioneiros Políticos.


Riad Seif contou ao juiz ter sido "atingido na cabeça pelos agentes de segurança antes de ser detido na sexta-feira, perto de uma mesquita no centro de Damasco. Uma manifestação contra o regime reuniu centenas de pessoas na sexta, na saída do templo.


Seif já havia sido condenado a dois anos e meio de prisão por ter se pronunciado a favor da democracia na Síria, permanecendo encarcerado entre janeiro de 2008 e julho de 2010; em 2001, foi condenado a cinco anos por tentar "mudar a constituição de maneira ilegal".

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Oleh

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