
As principais potências mundiais aportaram nesta quinta-feira um apoio político e financeiro à rebelião líbia, estabelecendo um mecanismo que permita a ela receber ativos congelados do país, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos a consideravam "o interlocutor legítimo" do povo líbio.
Os rebeldes registraram uma outra vitória diplomática com a visita a Benghazi do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, primeiro chefe de Estado estrangeiro a se dirigir ao feudo da rebelião, de onde pediu que o coronel Kadhafi deixe o poder.
Durante a reunião do Grupo de contato sobre a Líbia, em Abu Dhabi, a secretária de Estado americana Hillary Clinton afirmou que os dias do regime Kadhafi estavam "contados". "Trabalhamos com nossos parceiros internacionais da 'ONU para preparar o inevitável: a Líbia do pós-Kadhafi", disse Hillary Clinton.
Líbia: apoio político e financeiro aos rebeldes
O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, declarou que o poder do coronel líbio "chega ao fim", estimando que as defecções que se aceleram em seu entorno eram "uma consequência direta" das pressões internacionais.
"Devemos permanecer concentrados e unidos, para não dar nenhuma chance a Kadhafi de reconquistar terreno", disse.
Hillary Clinton qualificou o Conselho Nacional de Transição (CNT), representando a rebelião, de "interlocutor legítimo" do povo líbio, ao mesmo tempo em que o ministro australiano Kevin Rudd anunciava que seu país reconhecia o CNT.
Hillary afirmou, em seguida, para a imprensa, que as discussões no entorno de Muamar Kadhafi destacam uma "possível transição" do poder na Líbia, apelando as potências mundiais a "começar o trabalho muito difícil, mas necessário, com o CNT e o regime de Kadhafi".
O grupo de contato se dispôs a facilitar o mecanismo que permita ao CNT receber fundos, provenientes, principalmente, de bens bloqueados do regime líbio no exterior.
A Itália anunciou ajuda direta de 300 a 400 milhões de euros aos rebeldes, sob forma de empréstimos e de combustível, e o Kuwait comprometeu-se a repassar, imediatamente, 124 milhões de euros.
O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, anunciou por sua vez que Paris desbloquearia cerca de 290 milhões de euros pertencentes ao Banco Central da Líbia e que haviam sido congelados, como parte das sanções financeiras adotadas contra o regime.
Mas um líder da rebelião, Fathi al-Baaji, se disse decepcionado. "Esperávamos uma ajuda financeira mais importante", disse à AFP.
O CNT, que controla o leste líbio diz não ter recebido nenhuma ajuda desde o início da rebelião, em fevereiro, contando com suas próprias forças.
Segundo o encarregado do setor de petróleo e finanças da rebelião, Ali Tarhouni, o grupo ia começar a produzir "logo" 100.000 barris de petróleo por dia para alimentar seu caixa.
Dirigentes americanos informaram que Washington deve pedir às monarquias árabes do Golfo aportar mais recursos à rebelião.
Líbia: apoio político e financeiro aos rebeldes
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