segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Demissão no CNT causaria guerra civil na Líbia, adverte líder

AFP


O chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdel Jalil, advertiu neste domingo que uma demissão do grupo que ele dirige provocaria uma guerra civil na Líbia, após o aumento dos protestos contra as novas autoridades do país.



O chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdel Jalil


"Não nos demitiremos porque (a demissão) nos levaria a uma guerra civil", disse Abdeljalil, durante entrevista à emissora de TV Libya Al Hurra (Líbia Livre).


Mais cedo, o vice-presidente do conselho, Abdelhafidh Ghoga, tinha anunciado à rede de televisão do Qatar, Al-Jazeera, sua demissão "pelo interesse da nação", depois que centenas de manifestantes pediram sua renúncia.


Contudo, membros do CNT contatados pela AFP disseram que não estavam a par da renúncia de Ghoga, e disseram que ele não participou das reuniões do Conselho realizadas no sábado e no domingo.


Ghoga explicou que já não há o mesmo consenso no CNT e não quer que o conflito gerado em torno de sua pessoa tenha um "impacto negativo" no Conselho. "O mais importante é preservar o CNT", afirmou.


"Não sabemos o que acontece de fato", disse, referindo-se aos "ataques contra as pessoas e as campanhas contra alguns membros do CNT".


Os manifestantes pedem a renúncia de Ghoga, porta-voz do CNT, acusando-o de "oportunista" e de ter pertencido ao regime de Muamar Kadhafi.


Abdelhafidh Ghoga foi agredido na quinta-feira na Universidade de Ghar Yunes, em Benghazi, onde afirma ter ido assistir a uma cerimônia em homenagem aos mártires da revolução que derrotou Kadhafi.


"Não queremos Ghoga! O sangue dos mártires não foi derramado em vão!", gritavam os estudantes, que protestavam contra a detenção de 11 de seus colegas.


Pelo menos 4.000 estudantes líbios se manifestaram no domingo em Benghazi (leste) para protestar contra a detenção de 11 de seus companheiros após a agressão ao vice-presidente do CNT em sua universidade, informou um correspondente da AFP.


Os novos dirigentes líbios estão há semanas sob pressão. Os manifestantes pedem mais transparência e a exclusão de todos os membros do antigo regime.


O CNT pretende reunir-se para adotar a lei eleitoral que implantará a eleição de uma Assembleia Constituinte em junho.

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Oleh

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