segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Síria: Mediador da ONU chega ao Cairo para missão delicada

AFP
em Damasco

O novo mediador internacional para a Síria, o argelino Lajdar Brahimi, chegou ao Cairo para a primeira etapa de sua difícil missão de paz depois de quase 18 meses de violência e guerra civil no país.

Em Aleppo, segunda maior cidade do país e palco de intensos combates entre forças do regime e rebeldes desde julho, um atentado deixou 17 mortos, segundo a agência oficial Sana.

Esta é a primeira visita oficial de Brahimi na região desde que assumiu o cargo no dia 1º de setembro. Ele substituiu Kofi Annan, que se demitiu em 2 de agosto depois de admitir o fracasso de seus esforços por causa da falta de apoio das grandes potências.

O ex-chefe da diplomacia argelina não fez declarações em sua chegada à capital egípcia, mas seu porta-voz Ahmad Fawzi, disse à imprensa que ele se reunir com o presidente egípcio, Mohamed Mursi, e com o Secretário Geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, além de personalidades da oposição síria.

A data de sua visita à Síria será determinada uma vez que os detalhes finais forem acertados, segundo Fawzi.

Desde sua nomeação, o diplomata tem dito que o futuro da Síria seria "determinado pelo seu povo e por mais ninguém".

O novo enviado conversou ao telefone no sábado com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, e planeja visitar Teerã, principal aliado de Damasco, afirmou uma autoridade iraniana à agência Mehr.

Neste domingo a Rússia e os Estados Unidos voltaram a deixar evidente seus enfoques diferentes sobre a guerra na Síria. Essas divergências bloqueiam os esforços internacionais para resolver o conflito, que começou em março de 2011 com uma contestação pacífica que se militarizou face à repressão do regime.

A secretária de Estado americano, Hillary Clinton, considerou ser insuficiente uma resolução no Conselho de Segurança da ONU, como defendido por Moscou.

A Rússia quer fazer com que a organização adote um acordo concluído em junho em Genebra sobre a transição política na Síria, mas que não exige a partida de Assad.

"Não faz sentido aprovar uma resolução sem consequências, pois já vimos várias vezes que Assad continua a atacar seu próprio povo", disse ela no último dia da cúpula anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico em Vladivostok, no extremo-oriente russo.

"Consequências em caso de não-respeito"

Hillary acrescentou que se as diferenças persistirem com Moscou, os Estados Unidos "vão trabalhar com os Estados que partilham o mesmo ponto de vista para apoiar a oposição síria, a fim de apressar o dia em que Assad cairá".

Os aliados europeus dos Estados Unidos evocaram no sábado novas sanções contra Damasco, e o ministro belga chegou a mencionar um "dever de intervir".

Enquanto isso, os combates entre rebeldes e soldados e os bombardeios continuam em Aleppo (norte), Deraa (sul), Idleb (noroeste), Deir Ezzor (leste) e na província de Damasco, segundo ativistas.

De acordo com a agência oficial de notícias Sana, 17 pessoas foram mortas e mais de 40 ficaram feridas em um ataque a bomba no bairro do estádio municipal em Aleppo (norte).

"Um ataque terrorista no bairro do estádio municipal ocorreu perto do Hospital al Haya e do Hospital Central, em Aleppo", indicou a agência, sem dar mais detalhes.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) relatou que vários bairros de Aleppo, incluindo Souk al-Hal, Tariq al-Bab et Hanano, foram bombardeados pelo exército, enquanto confrontos são travados em Soukkari (sul), Sahour, al-Midane e nos arredores do quartel de Hanano.

"Tudo o que precisamos é algo para destruir as aeronaves. Criem uma zona de exclusão aérea.

Assim Assad será derrubado em um mês!", afirmou um combatente rebelde, Omar Abdul Farouk, 26 anos, a jornalistas ocidentais.

Sábado, o exército apoiado por tanques e helicópteros, tinha repelido um ataque rebelde contra o quartel de Hanano.

O jornal Al-Watan, próximo ao governo, disse no domingo que o local permanecia em mãos do exército, mas, de acordo com testemunhas locais, o exército não retomou o controle total do quartel.

Vários líderes de unidades rebeldes entrevistados pela AFP neste domingo asseguram terem recuperado centenas de armas pequenas e inúmeras caixas de munição na madrugada de sábado.

Cerca de 88 pessoas morreram neste domingo em todo o país, de acordo com uma avaliação preliminar do OSDH.

Desde o início do conflito, mais de 26.000 pessoas foram mortas, segundo o OSDH. Milhares de sírios fugiram do país para se refugiar em países vizinhos, enquanto 1,2 milhão de sírios precisam de ajuda humanitária.

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Oleh

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