segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Separatistas catalães prometem iniciar secessão da Espanha após vitória eleitoral





Os partidos separatistas catalães se declararam decididos a empreender o processo de secessão da Espanha, após obter a maioria absoluta de assentos nas eleições ao Parlamento regional, este domingo.

"Ganhamos", declarou Mas, ao comemorar a maioria de cadeiras obtidas no Parlamento regional pelos partidos separatistas, segundo os resultados parciais com base na apuração de 88% dos votos.

"Exatamente como nós, democratas, teríamos aceitado a derrota, agora pedimos (...) que os outros aceitem a vitória da Catalunha e a vitória do sim", declarou diante de cerca de dois mil simpatizantes, reunidos exibindo bandeiras separatistas em uma praça do bairro gótico de Barcelona.

Com quase 98% dos votos apurados, sua coalizão, a Junts pel Sí, obteve 62 assentos. Somados aos do partido separatista de esquerda radical CUP, que obteve 10 cadeiras, alcançariam 72 dos 135 da Câmara regional.

A CUP deu como condição para aderir a implantação de um plano de emergência social e não escolher o liberal Mas como presidente. Em sua festa de comemoração, convocaram a desobediência.

"A partir de amanhã, a legislação espanhola pode e deve ser desobedecida pelos catalães", disse seu líder, Antonio Baños. "Hoje nasce a República", acrescentou.

As eleições contaram com uma participação de 77,5%, um recorde nas eleições da região.

Oficialmente, sua função era renovar o Parlamento e o governo regionais, mas nesta ocasião, os separatistas prometeram empreender um processo para levar à constituição, em 2017, de uma república independente nesta região de 7,5 milhões de habitantes.

"É muito emocionante", disse à AFP Agustí Raga, um aposentado de 73 anos. "Estamos muito contentes de viver um momento histórico", acrescentou sua esposa, Cristina Elgstrom, de 49.

Sem maioria dos votos

Após mais de dois anos pedindo o referendo sobre a independência como os realizados em Québec (Canadá) ou na Escócia, sistematicamente negado pelo governo conservador do chefe de governo espanhol Mariano Rajoy, Mas apostou em convocar estas eleições antecipadas.

No entanto, os separatistas não obtiveram a maioria dos votos necessárias para vencer o referendo: juntos, somaram 47,8% dos votos.

"A maioria dos catalães optamos pela convivência e pela união", afirmou a candidata do centro-direitista Ciudadanos, Inés Arrimadas, segunda força com 25 deputados, que pediu a demissão de Mas e a convocação de novas eleições.

O voto anti-separatista restante ficou dividido entre o Partido Socialista (16), o conservador Partido Popular (PP) de Rajoy (11) e a lista criada em torno do antiliberal Podemos (11).

"A maioria dos catalães rejeitou a independência", afirmou, em Madri, o porta-voz do PP, Pablo Casado. "Vamos continuar garantindo a legalidade, vamos defender a unidade da Espanha", acrescentou.

Tanto um lado quanto o outro reivindicou uma participação maciça nestas eleições e, desde a primeira hora da manhã, longas filas se formaram nas seções eleitorais.

"Estou emocionado e nervoso, há muito tempo que se fala em como solucionar este tema e hoje pelo menos sabemos quantos há de cada lado", afirmou Toni Valls, um arquiteto de 28 anos, depois de votar na coalizão Junts pel Sí em um bairro abastado de Barcelona.

Jonatan Sánchez, de 32 anos, pintor de uma grande construtora, votou no não em Badalona, subúrbio operário da capital.

"Meu trabalho pode ser afetado, minha empresa fica em Barcelona, mas trabalha muito no restante da Espanha e no exterior", explicou.

'O problema é da Espanha'

O mapa do caminho idealizado pela coalizão Junts pel Sí prevê começar sua jornada rumo à independência com uma declaração do início do processo separatista uma vez constituído o Parlamento regional. Sua intenção é abrir, então, negociações com Madri e Bruxelas para buscar uma saída para a secessão.

Está em jogo a região mais rica da Espanha, quarta economia da zona do euro, no momento em que o país deixa para trás a crise e cresce a velocidade de cruzeiro. Sem a Catalunha, a Espanha perderia 25% de suas exportações, 19% de seu PIB, 16% de sua população, sua principal porta à Europa e seu principal destino turístico.

Rajoy e seu governo repetem sem cessar que não aceitarão nenhum tipo de negociação para dividir o país, que em dezembro celebrará eleições legislativas que poderão alterar de forma notável o mapa político.

Inclusive, estão prestes a aprovar uma proposta de reforma urgente do Tribunal Constitucional que permitiria desabilitar Mas por qualquer ato ilegal.

A resposta dos separatistas, contemplada em seu mapa do caminho, seria declarar a independência unilateral. E Mas advertiu recentemente que a Catalunha poderia deixar de pagar sua parte da dívida espanhola, que chega a quase 100% de seu PIB.

"Se as coisas se complicarem tanto, embora não tenham porque complicar-se, o problema seria fundamentalmente do conjunto da Espanha", advertiu em entrevista recente à AFP.

Neste contexto, o presidente do País Basco espanhol, Iñigo Urkullu, reivindicou, também neste domingo, "uma consulta legal e pactuada" sobre o estatuto da "nação" basca.

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Oleh

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