
As forças do novo regime líbio entraram novamente nesta segunda-feira em Bani Walid e mantinham o cerco a Sirte, bastiões leais a Muamar Kadhafi onde os filhos do ex-líder líbio podem estar escondidos.
O porta-voz do antigo regime, Mussa Ibrahim, afirmou que as tropas do Conselho Nacional de Transição (CNT) conquistaram várias vitórias nos últimos dias em Bani Walid e Sirte.
Violentos combates eram travados entre forças das novas autoridades líbias e partidários do regime deposto em Bani Walid, anunciou Abdullah Kenchil, autoridade local do CNT.
No domingo, os combatentes do CNT precisaram recuar a seis quilômetros de Bani Walid
"Os revolucionários entraram em Bani Walid e travavam uma dura batalha" contra os partidários do coronel Kadhafi neste oásis situado 170 km a sudeste de Trípoli, acrescentou Kenchil à AFP.
No domingo, os combatentes do CNT precisaram recuar a seis quilômetros da cidade, após um contra-ataque dos partidários de Kadhafi.
"Precisamos recuar devido à intensidade dos bombardeios das forças leais (a Kadhafi) contra nossas posições", explicou um combatente do CNT à AFP.
Segundo ele, os combatentes que defendem a cidade são "mercenários de Chade, Níger e Togo, como foi evidenciado através dos corpos recuperados".
Está sendo negociado para que os civis, segundo ele cerca de 50 mil, possam sair da cidade.
Kenchil também reiterou que Seif al-Islam, um dos filhos de Kadhafi, foi visto em Bani Walid e que o ex-"Guia" também pode estar no local.
Em Sirte, 360 km a leste de Trípoli, os pró-CNT buscavam consolidar suas posições e limpar as principais estradas para permitir a saída dos civis. Muitas famílias fugiram nesta segunda-feira desta cidade de 130 mil habitantes, segundo um jornalista da AFP.
O anúncio de um novo governo de transição foi adiado indefinidamente no domingo à noite
"As forças de Kadhafi disparam contra nós com artilharia pesada", disse Tarek Mohammed, morador do bairro litrâneo, ao deixar a cidade com a esposa e a filha.
Segundo um porta-voz militar do CNT, os combates se concentram ao redor do complexo de Uagadugú, onde o coronel Kadhafi realizava cúpulas panafricanas, e que parece ter se tornado agora a nova base da famosa 32ª Brigada.
Os combatentes consideram que esta unidade de elite dirigida por Khamis Kadhafi, filho do ex-líder cuja morte já foi anunciada em várias ocasiões pelo CNT, foi retomada por seu irmão Muatasim, médico e militar.
"Sabemos por conversas de rádio que Muatasim está lá" e comanda a 32ª Brigada, assegurou o porta-voz militar.
Apesar dos avanços dos combatentes do CNT, a incerteza prosseguia no plano político.
O anúncio de um novo governo de transição foi adiado indefinidamente no domingo à noite, já que os novos líderes não entraram em acordo sobre sua composição.
A França, na vanguarda do apoio ao CNT líbio, minimizou o atraso e, segundo Romain Nadal, um dos porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores, "é natural e legítimo que a formação de um governo plenamente representativo na Líbia leve tempo".
É "um exercício difícil em um país que viveu quase 42 anos de ditadura", mas a França segue incentivando o CNT "a nomear o quanto antes um governo representativo e operacional", acrescentou o porta-voz.
Reconhecido pela ONU como representante do povo líbio, o CNT já havia anunciado em setembro que esperava governar o país até a eleição de uma Assembleia Constituinte, antes da realização de eleições gerais, um ano depois.
Mas as novas autoridades devem assegurar o controle de todo o território líbio.
No plano econômico, o grupo petroleiro francês Total anunciou nesta segunda-feira que aposta na retomada em breve de sua produção na Líbia e acredita que existirão novas oportunidades no país.
Kadhafistas resistem nos bastiões líbios de Sirte e Bani Walid
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Oleh
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